Gleen Greenwald, responsável por trazer à tona revelações de Edward Snowden, dá detalhes sobre a operação de espionagem do governo americano
O governo dos EUA tem o objetivo de "obter
e armazenar todas as comunicações que ocorrem no mundo, não só as que
têm a ver com a segurança nacional ou terrorismo", como demonstra "a
espionagem" sobre os telefones nas Bahamas, México, Filipinas e Quênia,
disse nesta quinta-feira o jornalista ganhador neste ano de um prêmio
Pulitzer, Gleen Greenwald.
Em entrevista à Agência EFE, o homem a quem o ex-técnico da Agência de
Segurança Nacional americana (NSA) Edward Snowden confiou todos os
documentos aos quais teve acesso sobre dita espionagem desmentiu as
informações divulgadas em diversos meios de que vai publicar uma lista
de milhares de espionados pelos EUA.
Greenwald afirmou que os documentos de Snowden estão "eletronicamente
guardados" e anunciou que estuda um sistema com o qual outros
jornalistas possam ter acesso direto aos mesmos.
Questionado sobre documentos confidenciais sobre Cuba, Greenwald
respondeu que "não temos toda a informação dos EUA, temos partes das que
Snowden teve acesso. Em alguns casos, temos uma história completa, às
vezes é parcial e às vezes nada. O que temos é muito", disse.
Os Estados Unidos têm a capacidade de espionar e interceptar cada ligação telefônica em um país
"Os Estados Unidos têm a capacidade de espionar e interceptar cada
ligação telefônica em um país e conhecer seu conteúdo, e, além disso,
podem armazenar e escutar quando quiserem", disse Greenwald, que está na
Espanha para promover seu livro Snowden. Sem um lugar onde se esconder (Edições B).
"Obviamente, México e Bahamas não têm nada a ver com o terrorismo, que é
a justificativa normal que é dada pelos EUA para seu sistema de
espionagem", disse ao ser questionado sobre a reveleção que fez
recentemente a respeito.
O México é um país "de grande interesse para os EUA por ser
fronteiriço", declarou ao acrescentar que "a ideia de que há tráfico de
droga em um país não significa que se possa escutar e gravar todas as
ligações telefônicas".
Greenwald desmentiu informações divulgadas em diversos meios de
informação de que iria publicar uma lista com milhares de nomes de
pessoas espionadas pelos EUA, mas explicou que "vamos nos centrar em
alguns casos que ilustram o propósito do sistema de espionagem e como
funciona".
Perguntado sobre o Wikileaks do também jornalista Julian Assange, que
publicou vários documentos diplomáticos confidenciais dos EUA, Greenwald
explicou que atua de forma diferente com os documentos de Snowden já
que o ex-técnico dos serviços secretos americanos quis sempre "fazer as
coisas de forma distinta".
Ao confiar os documentos confidenciais, Snowden "queria que fosse
informado sobre este material de forma jornalística (...) o acordo que
alcancei com ele é que publicaríamos o que realmente julgarmos
necessário publicar" e "sem colocar em perigo gente inocente", disse
Greenwald, em resposta às acusações do secretário de Estado americano,
John Kerry.
Kerry afirmou que as revelações de Snowden permitiram aos terroristas
conhecer "de primeira mão" os métodos e mecanismos usados pelos Estados
Unidos para obter inteligência. "Nossas operações foram comprometidas",
afirmou.
Ao explicar as diferenças entre Assange e Snowden, o primeiro refugiado
na embaixada do Equador em Londres e o outro na Rússia, Greenwald
lembrou que este último trabalhava para o governo dos EUA e considerou
que se retornar a seu país, onde é acusado de traição, "não teria um
julgamento justo. Querem que volte para prendê-lo pelo o resto de sua
vida".
'Há agora gente no governo (americano) inspirada por Snowden'
"Me consta que há agora gente no governo (americano) inspirada por
Snowden", disse Greenwald. A ideia de escrever um livro é revelar a
"história real de como conheci Snowden, como consegui os documentos
(...) porque foram ditas muitas coisas sobre isso que não são verdade",
explicou.
"Queria colocar o sistema de espionagem americano em seu inteiro
contexto", declarou ao assinalar que seu livro é composto por três
partes, e a terceira é defender "o argumento de por que a intimidade é
crucial para a liberdade individual, e todos sofremos quando a
perdemos".
Greenwald assegura que nem ele e nem Snowden tiveram dúvidas antes de
decidir começar a revelar os documentos sobre a espionagem americana e
que ambos já sabiam das consequências que teria e que mudaria totalmente
suas vidas.
O jornalista, que começou revelando os documentos de Snowden no diário britânico The Guardian, vive atualmente no Rio de Janeiro desde onde publica os documentos confidenciais pela internet.
No livro, Greenwald lembra que a primeira coisa que Snowden lhe pediu
quando se conheceram é que cifrasse seu e-mail, o que agora o recomenda a
todo o que possa fazê-lo, especialmente jornalistas, médicos,
psiquiatras, advogados ou outros profissionais que guardam informações
confidenciais e privadas de outras pessoas.









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