Se é possível começar namoro ou pedir em casamento usando as redes sociais, por que não pode terminar do mesmo jeito?
Outro dia minha timeline foi tomada pela
notícia de um rapaz que terminou o namoro usando uma hashtag no
Instagram. O moço (à esq.) publicou #TransformationTuesday, usada toda
terça por quem quer mostrar algo que tenha mudado na sua vida, e postou
uma foto do antes com a namorada e do depois, sem a menina na imagem. A
coitada ainda mandou um comentário: “Você está terminando comigo?” QUE
DÓ!
O episódio me fez pensar no que seria aceitável para relacionamentos em
tempos de redes sociais. Hoje, se você não mudou seu status de
relacionamento no Facebook, a relação não foi oficializada, né? Se não
tá no ~Feice~, não tá namorando. Já vi um monte de gente “pedir em
namoro” ao mudar o status e solicitar que o outro confirme. Fofo, né?
Que tal, então, aqueles que fazem uma surpresa pra pessoa amada e
gravam um vídeo no YouTube com um pedido público e viral de casamento?
Romântico? Tem também aquela galera que posta uma foto de um anel no
Instagram e tagueia a pessoa amada. Nhô, que amor!
Ok, você entendeu... existem milhares de maneiras de começar um
relacionamento nas redes sociais e achamos essas demonstrações públicas
de amor superfofas. Daí eu pergunto: se pode começar namoro ou pedir em
casamento usando esses recursos modernos das redes sociais, por que não
pode terminar do mesmo jeito?
Todo mundo achou o cara da hashtag um grandessíssimo babaca. Eu não!
Minha opinião é polêmica, mas acho que não podemos ter dois pesos e duas
medidas. É claro que não achei incrível a atitude, mas achei...
possível!
Expomos nossa vida loucamente na internet, sem medo de revelar a
intimidade, de postar uma #aftersexselfie ou coisa do tipo. Mas sempre
postamos aquela versão editada, feliz, viajada, descolada e bem amada.
Fico pensando se a pessoa ficou puta da vida por ter levado um pé na
bunda ou se porque a miséria dela foi exposta pra todos verem, sem que
ela tivesse escolha.
Histórias de amor comovem, ficamos todos bobos achando o mundo
cor-de-rosa. Da mesma maneira, demonstrações públicas de desamor nos
deixam incomodados. Mas assim é a vida. Uma hashtag, um vídeo no
YouTube, um pai de santo... nenhum desses tem como trazer a pessoa amada
de volta quando o amor acabou.
*Co-criadora e curadora do youPIX e da Campus Party Brasil. Seu
trabalho busca entender como os jovens brasileiros usam a rede para se
expressar e criar movimentos cultura









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