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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Entidade defende cirurgia plástica como instrumento de combate a consequências do bullying

Inversão de valores, fazendo com que vítimas se adéquem ao mundo que os agressores tratam como “normal”, é mesmo uma saída para o problema?



Alguns médicos precisam de uma intervenção cirúrgica na consciência. Recebi um release da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP/SP) com o seguinte título: "Bullying impulsiona aumento de cirurgia plástica em crianças". No texto, um médico, presidente da entidade, diz que a cirurgia plástica, "que pode ser feita em crianças a partir dos 6 anos de idade", “sem dúvida é uma excelente maneira de devolver a autoestima às crianças que passam a sofrer bullying por conta dessa condição” (sic). Quando fala na tal “condição”, o release se refere aos meninos e meninas que têm “orelhas de abano”.
É deprimente ver "profissionais de saúde" defendendo que frankensteinizar crianças perfeitamente saudáveis para que se moldem a padrões estéticos é algo "excelente". Mais absurdo ainda é saber que pais e mães aceitam e incentivam barbáries como essa.
O bullying é um problema sério e as consequências em crianças, adolescentes e até mesmo adultos desse tipo de prática podem atingir níveis extremos, como o suicídio. Mas, infelizmente, certos atalhos não resolvem o problema. Não sou psicólogo nem educador, mas não é preciso ser especialista ou passar anos pesquisando para perceber que essa inversão de valores promovida como “uma maneira de devolver a autoestima” é nociva.
A cirurgia plástica é uma intervenção importantíssima e, sim, pode ser uma grande aliada para recuperar a autoestima das pessoas, como vítimas de acidentes, pacientes com má-formação congênita, mulheres que fizeram cirurgia da mama etc. Até mesmo as intervenções meramente estéticas, não as condeno. São decisões particulares e cada indivíduo deve ser livre para decidir fazer o que bem entender com seu corpo e ser respeitado por isso. Mas crianças completamente saudáveis, definitivamente, não precisam de cirurgia.
Nós, enquanto sociedade, é que precisamos de uma transformação profunda. Uma mudança de mentalidade e, consequentemente, de atitudes que não se resolve com bisturis.
Façamos um exame de consciência: qual postura diante da vida podemos esperar de um adulto que, desde a infância, foi ensinado a passar seus anos se enclausurando em cada redoma que lhe era imposta ao longo de seu caminho?

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