Esqueça bonequinhos e canecas de plástico. As máquinas 3D que estão mudando o mundo recriam partes do corpo, comida, remédios e poderão até curar o câncer e reconstruir moléculas aliens
A JATO DE CÉLULAS: BIOIMPRESSORA PRODUZ TECIDOS HUMANOS EM CENTRO DE PESQUISAS EM SAN DIEGO, NOS EUA (FOTO: U-T SANDIEGO/ZUMAPRESS)
Quando as impressoras 3D domésticas começaram a aparecer, em 2010, a revista de tecnologia Wired saudou em sua capa uma “nova revolução industrial”. Desde então, foram incontáveis previsões de como todos passaríamos a fabricar objetos em casa assim que as máquinas barateassem. Quatro anos depois, é possível comprar aparelhos de US$ 100 a US$ 300, mas as “fábricas caseiras” estão longe de vingar — e talvez nunca vinguem. A tecnologia, no entanto, não deixou de trazer transformações profundas. Esqueça os bonequinhos e canecas de plástico malfeitos. Já estamos começando a imprimir em 3D remédios, vasos sanguíneos, cartilagens, ossos, vírus, armas e até casas inteiras. Veja a seguir alguns desses projetos, que têm ambições tão grandes quanto a cura do câncer ou a cópia de organismos aliens.
VÍRUS > CÂNCER NA MIRA
Já se modelam e imprimem em 3d micro-organismos vivos. cientistas querem usá-los contra os tumores
Já se modelam e imprimem em 3d micro-organismos vivos. cientistas querem usá-los contra os tumores
A empresa norte-americana Autodesk abriu no final do ano passado um laboratório de pesquisas em San Francisco voltado a “simplificar a impressão de organismos” — isso mesmo, estamos falando de bactérias, vírus ou células. A companhia já fornece softwares como CADnano, ou o “CAD para origami de DNA”, que modela as estruturas básicas da vida para que seja possível imprimi-las depois. O software está dentro do Project Cyborg, iniciativa voltada a criar ferramentas para “programar matéria”, que tem parcerias com pesquisadores das Universidades Harvard, Stanford e MIT.
À frente do projeto está o biólogo Andrew Hessel, que fundou em 2009 uma startup de biotecnologia voltada a criar curas baratas para o câncer de mama. O cientista, agora comandando um grupo de pesquisa na Autodesk, pretende usar a impressão 3D para ajudar na produção de remédios contra a doença (leia ao lado depoimento dele a GALILEU). O objetivo é retirar amostras de tumores, sequenciar seus DNAs, e usar o genoma para imprimir um antídoto específico. Com essa assinatura genética, diz Hessel, seria possível desenhar uma cepa de vírus que se ligasse apenas às células cancerosas, matando-as (veja abaixo).
Parece ficção científica, mas a ideia está mais perto do que se imagina. Em maio, Hessel produziu o seu próprio vírus com impressoras 3D, num processo que demorou duas semanas — o primeiro vírus sintético, feito em 2003 por Craig Venter, levou 5 anos de pesquisa.
Uma outra tecnologia também tenta usar as máquinas na luta contra o câncer. O pesquisador Wei Sun, da Universidade Drexel, no EUA, usa uma impressora 3D para criar tumores vivos nos quais é possível testar medicamentos. Isso elimina a etapa inicial: o laboratório vai direto à experiência em cânceres reais, produzidos em laboratório e não inoculados em animais de teste. O resultado são que os remédios contra o câncer são testados mais rapidamente.









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