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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

As impressoras 3D que importam


Esqueça bonequinhos e canecas de plástico. As máquinas 3D que estão mudando o mundo recriam partes do corpo, comida, remédios e poderão até curar o câncer e reconstruir moléculas aliens

A JATO DE CÉLULAS: BIOIMPRESSORA PRODUZ TECIDOS HUMANOS EM CENTRO DE PESQUISAS EM SAN DIEGO, NOS EUA (FOTO: U-T SANDIEGO/ZUMAPRESS)

Quando as impressoras 3D domésticas começaram a aparecer, em 2010, a revista de tecnologia Wired saudou em sua capa uma “nova revolução industrial”. Desde então, foram incontáveis previsões de como todos passaríamos a fabricar objetos em casa assim que as máquinas barateassem. Quatro anos depois, é possível comprar aparelhos de US$ 100 a US$ 300, mas as “fábricas caseiras” estão longe de vingar — e talvez nunca vinguem. A tecnologia, no entanto, não deixou de trazer transformações profundas. Esqueça os bonequinhos e canecas de plástico malfeitos. Já estamos começando a imprimir em 3D remédios, vasos sanguíneos, cartilagens, ossos, vírus, armas e até casas inteiras. Veja a seguir alguns desses projetos, que têm ambições tão grandes quanto a cura do câncer ou a cópia de organismos aliens.
VÍRUS > CÂNCER NA MIRA
Já se modelam e imprimem em 3d micro-organismos vivos. cientistas querem usá-los contra os tumores
A empresa norte-americana Autodesk abriu no final do ano passado um laboratório de pesquisas em San Francisco voltado a “simplificar a impressão de organismos” — isso mesmo, estamos falando de bactérias, vírus ou células. A companhia já fornece softwares como CADnano, ou o “CAD para origami de DNA”, que modela as estruturas básicas da vida para que seja possível imprimi-las depois. O software está dentro do Project Cyborg, iniciativa voltada a criar ferramentas para “programar matéria”, que tem parcerias com pesquisadores das Universidades Harvard, Stanford e MIT.
À frente do projeto está o biólogo Andrew Hessel, que fundou em 2009 uma startup de biotecnologia voltada a criar curas baratas para o câncer de mama. O cientista, agora comandando um grupo de pesquisa na Autodesk, pretende usar a impressão 3D para ajudar na produção de remédios contra a doença (leia ao lado depoimento dele a GALILEU). O objetivo é retirar amostras de tumores, sequenciar seus DNAs, e usar o genoma para imprimir um antídoto específico. Com essa assinatura genética, diz Hessel, seria possível desenhar uma cepa de vírus que se ligasse apenas às células cancerosas, matando-as (veja abaixo).
Parece ficção científica, mas a ideia está mais perto do que se imagina. Em maio, Hessel produziu o seu próprio vírus com impressoras 3D, num processo que demorou duas semanas — o primeiro vírus sintético, feito em 2003 por Craig Venter, levou 5 anos de pesquisa.
Uma outra tecnologia também tenta usar as máquinas na luta contra o câncer. O pesquisador Wei Sun, da Universidade Drexel, no EUA, usa uma impressora 3D para criar tumores vivos nos quais é possível testar medicamentos. Isso elimina a etapa inicial: o laboratório vai direto à experiência em cânceres reais, produzidos em laboratório e não inoculados em animais de teste. O resultado são que os remédios contra o câncer são testados mais rapidamente.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Primeira fábrica de mosquitos transgênicos do Brasil é inaugurada em Campinas/SP

O Brasil pode ser o primeiro país a usar o aedes aegypti transgênico, em caráter comercial, para combater a dengue




A primeira fábrica de mosquitos da dengue transgênicos do Brasil foi inaugurada nessa terça-feira (29), em Campinas. A unidade da empresa britânica Oxietic tem capacidade para produzir 500 mil mosquitos aedes aegypti machos por semana - esse número pode saltar para 2 milhões. Se a produção for aprovada, poderá ajudar no combate da dengue no território nacional.
Em 2002, a Oxietic desenvolveu os mosquistos aedes aegypti transgênicos a partir de uma microinjeção de DNA contendo dois genes nos ovos dos transmissores da dengue. Um dos genes serve para impedir que os descendentes dos insetos cheguem à fase adulta e outro é para identificá-los sob uma luz específica.
As fêmeas são responsáveis pela incubação e transmissão do vírus, mas ao procriar com os machos transgênicos elas geram descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, de modo que a população total de mosquitos é reduzida.
Testes iniciados há três anos na cidade de Juazeiro, na Bahia, apresentaram uma redução de mais de 80% da população que vive na natureza. Os experimentos com os insetos da Oxitec no Brasil foram realizados em parceria com a organização Moscamed.
A Oxitec tem como possível cliente o poder público, contudo, a contratação depende da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que, por enquanto, ainda está estudando se vai autorizar ou não a comercialização de serviços do gênero. Com o veredito positivo da Anvisa, o Brasil pode ser o primeiro país a usar o aedes aegypti transgênico, em caráter comercial, para combater a dengue.
De acordo com Glenn Slade, o diretor global de desenvolvimento de negócios da empresa, para uma cidade de 50 mil habitantes fazer uso do serviço, ela deverá desembolsar de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por ano, e R$ 1 milhão para manutenção dos insetos nos anos seguintes.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Evolução tecnológica: como será nossa vida daqui a 20 anos?

Analisamos relatórios e mostramos como a forma com que você interage com o mundo e com a tecnologia vai mudar daqui a duas décadas


A MONTAGEM, INSPIRADA EM "1984", DE GEORGE ORWELL, MOSTRA A VIGILÂNCIA CONSTANTE - ALGO PREVISTO PARA ACONTECER DAQUI 20 ANOS (FOTO: FLICKR TJ BLACKWELL / CREATIVE COMMONS)



Peço uns segundos de reflexão para o seguinte: o aparelho de telefone que você tem no bolso tem o poder de processamento e a capacidade de armazenamento várias vezes maiores do que o computador gigante que você usava pra entrar no ICQ em 2003. Aliás, o seu celular é mais poderoso do que o computador da NASA que levou o Apollo 11 à Lua.
A velocidade com que a tecnologia avança é observada pela Lei de Moore, uma "profecia" de 1965 do então presidente da Intel, Gordon Moore. A Lei de Moore diz que o número de transistores em um chip dobra a cada 18 meses, e esse padrão se mantém desde então. Em 2001, o inventor e futurista Ray Kurzweil ampliou a teoria de Moore, dizendo que sempre que uma tecnologia encontra um tipo de barreira que interrompe ou desacelera seu desenvolvimento, surge uma outra tecnologia que rompe com essa barreira. Kurzweil acredita que a humanidade deve atingir a singularidade tecnológica em 2045 - asingularidade é o o nome que se dá ao momento em que a civilização atingirá níveis tecnológicos tão rápidos, avançados e que mudarão tão profundamente os paradigmas da sociedade como um todo, que a inteligência artificial vai superar a inteligência humana, e nossa mente limitada de hoje é incapaz de prever exatamente o que isso significará.
A evolução tecnológica, então, não é linear, e não dá pra esperar que nos próximos 20 anos a gente avance tanto quanto nos 20 anos que passaram. Na verdade, o mundo será completamente diferente: levando em conta a projeção de Moore e as análises de Kurzweil, que é um dos mais respeitados futuristas do mundo, em 18 ou 20 anos a tecnologia será centenas de milhares de vezes mais avançadas do que é hoje (dá uma olhada nesse gráfico pra entender a dimensão da coisa). Por isso, é muito difícil prever os paradigmas que serão rompidos nesse período.
Mas há quem esteja tentando - gente que, inclusive, já teve sucesso no passado em palpitar sobre onde estaríamos tecnologicamente nos dias de hoje. O PEW, instituto de pesquisas sobre internet, conversou com especialistas sobre as possibilidades para a internet nos próximos anos. O site Edge.org entrevistou Kevin Kelly, editor da revista Wired e um dos mais respeitados analistas sobre o futuro da tecnologia. E nós vasculhamos o vasto material coletado nessas entrevistas em busca da resposta: quão diferente nossa vida será daqui a 20 anos por causa da evolução tecnológica?
Wearables Você já deve ter ouvido falar dessa categoria de gadgets - que carece de uma tradução adequada em português. O termo se traduz literalmente como "vestíveis" e nele se encaixam aparelhos como o os relógios da Samsung e da Apple, o Glass, do Google, e pulseiras que registram atividades físicas, como Fitbit. De acordo com especialistas, é aí que vamos nos aproximar mais rapidamente dos filmes de ficção científica. Eles vão baratear, se tornar populares e vão incorporar aplicativos de realidade aumentada capazes de mudar nosso cotidiano e a maneira como os recursos tecnológicos se relacionam. Imagine ver a realidade com camadas de dados - visualizar, pelo seus óculos, a distância de onde você está para onde quer ir, com coordenadas ao vivo? As possibilidades para gadgets como esses são bastante amplas.
A escassez de atenção "Nós gastamos quatro, talvez cinco anos estudando e treinando para aprender a ler e escrever, e esse processo de aprendizado afeta as conexões no nosso cérebro. (...) Pode ser que para que aprendamos a gerenciar nossa atenção, a pensar de maneira crítica, (...) toda essa 'alfabetização tecnológica', tenhamos que passar anos treinando e estudando. Talvez demande treinamento, estudo", diz Kevin Kelly, editor da revista Wired. Outros especialistas concordam: atenção e a capacidade de focar-se em algo por um período estendido serão commodities raras, e talvez ainda não saibamos, mas seja necessário estudar e dedicar tempo a adaptar nosso cérebro a esse contexto de hyperlinks e referências cruzadas entre o conteúdo que consumimos sem deixar que isso atrapalhe a concentração e a absorção da informação.
Internet das coisas A internet ainda é, para nós, uma coisa na qual estamos conectados ou não. Ou seja, existem momentos em que estamos na rede e horas em que estamos completamente desconectados. Em 20 anos, a relação entre nós e a rede será parecida com a maneira como lidamos com a eletricidade: ela simplesmente existe e permeia nosso cotidiano. Não falamos sobre, não analisamos seu impacto e assumimos que ela simplesmente esteja ali o tempo. Só notamos que ela existe quando não a temos mais. Da mesma maneira que a eletricidade, espera-se que a internet fique tão barata que se espalhe pelo mundo e chegue inclusive a regiões carentes.
Um dos especialistas disse, anonimamente: "a internet e a humanidade serão uma coisa só, pro bem ou pro mal. A internet das coisas será a inovação mais útil, e a que mais pegará as pessoas de surpresa." Nos próximos 20 anos, a internet será parte de praticamente todas as coisas que a gente tem e tudo vai se integrar online - da porta da sua frente da sua casa a sua bicicleta, sua câmera fotográfica, sua geladeira, as lâmpadas e a mesa de jantar.
Esqueça a privacidade Se você acha que temos um problema com privacidade, saiba que a maioria dos analistas diz que é um caminho sem volta. E em vez de nos preocuparmos em não sermos monitorados, vamos desistir de brigar pelo impossível e tentar diminuir o impacto dessa nova realidade. Como? Exigindo mais transparência(assim, tendo certeza quem está nos monitorando, quando e porquê) e negociando períodos cegos, um espaço de tempo pra ficar livre da vigília constante.
A tecnologia resolve problemas, mas cria outros" A maioria dos nossos problemas hoje é tecnogênico, ou seja, foram criados pela tecnologia", explica Kevin Kelly. E a maioria dos problemas do futuro, ele diz, serão criados por tecnologias que estamos desenvolvendo hoje. Isso acontece desde os primeiros avanços tecnológicos - quando, por exemplo, o homem desenvolveu um martelo feito de pedra, ele foi usado como ferramenta, pra produzir outras coisas, mas também foi usado para ferir pessoas de maneira mais eficiente. E Kelly diz que usar um martelo para uma coisa ou outra é uma questão de escolha, mas que antes de inventarmos o martelo, essa escolha nem existia. "A tecnologia segue dando meios para que façamos o bem e o mal, e está ampliando as duas possibilidades, mas o fato de que temos uma nova escolha a cada vez é uma coisa boa também."

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Orkut será encerrado em 30 de setembro


É oficial: o Orkut será desativado em 30 de setembro deste ano, conforme anúncio feito pelo Google na manhã de hoje. A partir desta segunda-feira, já não é mais possível abrir contas no serviço.

A empresa pede desculpas aos usuários pela atitude, mas afirma que ela é necessária porque o Orkut deixou de ser relevante, graças ao surgimento de plataformas melhores.
“Ao longo da última década, YouTube, Blogger e Google+ decolaram, com comunidades surgindo em todos os cantos do mundo”, comenta o diretor de engenharia do Google, Paulo Golgher. “O crescimento dessas comunidades ultrapassou o do Orkut. Por isso, decidimos dizer adeus ao Orkut e concentrar nossas energias e recursos para tornar essas outras plataformas sociais ainda mais incríveis para todos os usuários.”

Confira abaixo o texto, intitulado “Adeus ao Orkut”:
Dez anos atrás, o Google mergulhou pela primeira vez nas redes sociais por meio do Orkut, que nasceu como projeto experimental de um engenheiro que deu nome à rede. As comunidades do Orkut deram forma a conversas e conexões que até então não existiam, antes mesmo que as pessoas soubessem o que eram "redes sociais".

Ao longo da última década, YouTube, Blogger e Google+ decolaram, com comunidades surgindo em todos os cantos do mundo. O crescimento dessas comunidades ultrapassou o do Orkut. Por isso, decidimos dizer adeus ao Orkut e concentrar nossas energias e recursos para tornar essas outras plataformas sociais ainda mais incríveis para todos os usuários.

O Orkut será descontinuado no dia 30 de setembro de 2014. Até lá, não haverá impacto para os atuais usuários, para que a comunidade tenha tempo de lidar com a transição.

Usuários podem exportar as informações do seu perfil, mensagens de comunidades e fotos usando o Google Takeout (disponível até setembro de 2016). A partir de hoje, novos usuários não podem criar novas contas no Orkut.

O Orkut pode estar indo embora, mas todas as incríveis comunidades criadas pelos usuários vão ficar. Um arquivo com todas as comunidades públicas ficará disponível online a partir de 30 de setembro de 2014. Se você não quiser que seu nome ou posts sejam incluídos no arquivo de comunidades, você pode remover o Orkut permanentemente da sua conta Google.

Foram 10 anos inesquecíveis. Pedimos desculpas para aqueles que ainda utilizam o Orkut regularmente. Esperamos que vocês encontrem outras comunidades online para alimentar novas conversas e construir ainda mais conexões, na próxima década e muito além.

domingo, 29 de junho de 2014

A pré-história dos robôs

Há mais de 200 anos, um engenheiro e um charlatão chocaram o mundo ao reproduzir artificialmente capacidades humanas complexas. Conheça os pioneiros da robótica e entenda por que eles continuam sendo admirados pelos cientistas


Xeque-mate! Xeque-mate!”,gritava o Enxadrista Mecânico enquanto era consumido pelas chamas de um incêndio que atingiu a cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos, háexatamente 160 anos. O Enxadrista — que também ficou conhecido como “Turco” por conta dos seus trajes orientais — era uma espécie de autômato que, segundo seu inventor, conseguia jogar xadrez contra seres humanos. Alguns anos antes de ser engolido pelo fogo, o Turco tinha sido uma sensação mundial. Ele chegou a desafiar e vencer Benjamin Franklin e Napoleão Bonaparte e inspirou a primeira grande polêmica sobre a possibilidade de se criar um homem mecânico dotado de inteligência — oque mais tarde a ficção científica nos acostumou a chamar de robô.
Criado por um funcionário público húngaro, Wolfgang vonKempelen, e apresentado pela primeira vez em Viena, em 1770, o Turco nasceu no fim da era de ouro dos autômatos (máquinas que imitam seres vivos, como homens ou animais) e no início da era do maquinário industrial. Ele ficava posicionado atrás de um balcão no qual o tabuleiro era apoiado, e, no início de cada apresentação, vonKempelen fazia questão de abrir porta por porta desse balcão para mostrar que não tinha ninguém lá dentro. Seu sucesso, e as polêmicas que provocou no meio intelectual ao apresentar sua criação como a primeira “máquina inteligente da história”, foi fruto do clima da época. Hoje, os três temas que ele corporificou — a imitação mecânica da vida, a inteligência artificial e a substituição do ser humano pela máquina — marcam a história do campo conhecido como robótica.
Durante mais de 80 anos, o Turco fez exibições na Europa e nos Estados Unidos, e muita gente realmente acreditou se tratar de um autômato inteligente. Não era loucura: naquele período, as pessoas testemunhavam uma série de novidades patrocinadas pela Revolução Industrial, e existia o medo real de que os humanos acabassem substituídos por máquinas. A maneira como o Enxadrista funcionava permaneceu em segredo por muito tempo, e o mistério só foi desfeito depois do incêndio na Filadélfia. A verdade é que o balcão em que ele se apoiava de fato tinha espaço para abrigar uma pessoa, e essa pessoa geralmente era o melhor jogador de xadrez disponível.
O truque estava na forma como a caixa era apresentada ao público, de modo a sugerir que não cabia ninguém lá dentro (veja ao lado). Mas vonKempelen não foi o primeiro a tentar construir um homem mecânico.
Em 1737, o francês Jaques de Vaucanson já tinha apresentado ao mundo o seu “flautista artificial”. Com foles no lugar dos pulmões, dedos e lábios móveis e válvulas regulando o fluxo de ar, o boneco de madeira de 1,67 m era movido a corda. O flautista causou sensação não por ser uma máquina que tocava música, mas por produzir música como um instrumentista humano: soprando ar através da flauta, modulando o ar com os lábios, controlando a flauta com os dedos.
Vaucanson passou boa parte de sua vida tentando construir um homem artificial completo, em que outros sistemas do corpo humano, como o circulatório, pudessem ser recriados mecanicamente, da mesma forma que o flautista recriava a respiração. Ele morreu sem completar seu “homem artificial”, mas essa capacidade de controlar um instrumento projetado para uso humano, com destreza comparável a de uma pessoa, é uma meta buscada até hoje por criadores de robôs.
CRIADOS PARA SERVIR
O enxadrista de vonKempelen era chocante para o público do século 18 porque era interativo. Como escreve Tom Standage, autor de The Turk, uma “biografia” da máquina, “era a aparente capacidade do autômato de responder aos movimentos do oponente que o separava dos autômatos anteriores”. E mesmo hoje a interatividade continua a produzir a ilusão de inteligência em sistemas artificiais. Mas quando o computador Deep Blue bateu o então campeão mundial de xadrez GarryKasparov, em 1997, ninguém considerou a máquina inteligente, ou pelo menos não inteligente como um ser humano. “Creio que jogar xadrez é visto como um sinal de inteligência, mas não de consciência”, diz a psicóloga britânica Susan Blackmore, autora do livro Consciousness: anIntroduction. “À medida que aprendemos mais sobre como a inteligência funciona, achamos mais fácil aceitar que máquinas são inteligentes, mas a consciência permanece um mistério.”
Desde 2011, o projeto James — sigla em inglês de Ação Conjunta para Sistemas Sociais Incorporados Multimodais — tenta desenvolver um robô capaz de servir drinques em um bar. A ideia é que ele seja capaz de distinguir uma pessoa que está apenas encostada no balcão de alguém que se aproximou para pedir bebida. O pesquisador Sebastian Loth, um dos responsáveis pela iniciativa, explica que esse é o próximo passo da evolução dos robôs.
“Decidir qual das duas opções é a correta (se o cliente está simplesmente encostado ou se deseja ser atendido) requer um raciocínio que não segue uma lógica matemática, mas que tem de ser expresso como um programa ou fórmula. Isso é necessário para que o robô compreenda as interações sociais e responda adequadamente ao comportamento humano”, explica Loth.
A diferença entre os autômatos do século 18 e os robôs que surgiram depois é que, enquanto os primeiros foram criados como brinquedos, os outros foram e continuam sendo feitos para o trabalho. O primeiro robô industrial, de 1937, era um modelo de guindaste capaz de montar paredes. E mesmo os robôs enviados a Marte pela Nasa são trabalhadores, já que realizam tarefas no lugar de seres humanos.
Mas se a presença de robôs no local de trabalho parecia limitada ao chão de fábrica, agora sistemas como o barman eletrônico começam a avançar sobre o setor de serviços. “O bar é apenas um tipo de interação de serviço. Os resultados do nosso trabalho podem ser transferidos para outros lugares, como uma fila de padaria”, diz Loth. Se ele estiver certo, é provável que num futuro próximo você nunca mais dê de cara com um pãozinho queimado.
 (Foto: Revista Galileu)
 (Foto: Revista Galileu)

“Tudo o que vemos no seriado CSI, temos no Brasil”, diz especialista em genética forense

O uso de informações genéticas em investigações criminais ganha cada vez mais força no Brasil e no mundo – mas nem todos estão satisfeitos com isso

PAULO RAIMANN, ESPECIALISTA EM GENÉTICA FORENSE (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Nesta quinta-feira (26/06), a Suprema Corte da Flórida inocentou Paul Hildwin, um homem que passou 28 anos no corredor da morte sem ter cometido crime algum. Ele foi acusado de estuprar e matar Vronzettie Cox em 1985, enquanto o real culpado, como confirmaram os testes de DNA, é William Haverty, então namorado da vítima. Só neste ano, quatro pessoas sentenciadas à morte injustamente foram inocentadas na Flórida – e nestes casos, as informações genéticas se mostram provas valiosíssimas, com o poder de mudar completamente o rumo das investigações e até de salvar vidas como a de Hildwin.
“A tecnologia nos Estados Unidos e no Brasil é praticamente a mesma, utilizamos as mesmas técnicas de seriados como CSI”, diz Paulo Raimann, biólogo molecular especialista em genética forense. Nos EUA, desde 1998, o FBI mantém uma base de dados nacional com o perfil genético de criminosos para auxiliar nas investigações criminais. Chamada de NDIS, a National DNA Index (Arquivo Nacional de DNA) contém o perfil de quase 11 milhões de condenados e, segundo as estatísticas divulgadas, colaborou decisivamente com mais de 235 mil processos penais.
"O país é o dono da base de dados: a informação não é compartilhada"
Paulo Raimann, geneticista forense
A base de dados é operada pelo software CODIS(Combined DNA Index System – Sistema Combinado de Arquivamento de DNA), utilizado gratuitamente por 49 países, que recebem inclusive treinamento operacional do FBI. “O país é o dono da base de dados: a informação não é compartilhada, mas pode vir a ser em caso de necessidade, como em desastres em massa”, explica o biólogo. O sistema otimiza o processo de cadastramento dos perfis genéticos e de cruzamento do material colhido em uma cena de crime com os dados disponíveis na base.
Perfil genético nos bancos não pode ser compartilhado (Foto:  JohnGoode/flickr/Creative Commons)
O processo é hierarquizado: começa nos laboratórios forenses, que primeiro buscam no banco genético local o perfil que se vincule com a amostra de DNA analisada; se o chamado match não ocorrer, passam para o banco estadual e, em última instância, para o federal, o NDIS. Mas, segundo Paulo Raimann, normalmente não há esta necessidade: 80% dos crimes podem ser solucionados localmente. Quando a vinculação é encontrada, os peritos transmitem o que descobriram para as autoridades legais envolvidas no caso.
No Brasil, o procedimento é bem mais recente: a lei que prevê a coleta de DNA de criminosos e estipula a criação de um banco de dados de perfis genéticos foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em maio de 2012, mas só foi homologada no final do ano passado. Até o momento, laboratórios forenses de 18 estados contribuem para a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIPBG), gerida pela Polícia Federal. “Enquanto nos EUA cada estado define suas diretrizes, aqui o CODIS é uma lei federal, que obriga condenados por crimes hediondos a fornecerem material para o banco”, aponta Raimann.
No Brasil, lei sobre bancos genéticos foi aprovada em 2012
Segundo o biólogo, o processo de genotipagem é feito, principalmente, a partir da pele, saliva, ou sêmen, e codifica 24 regiões do DNA que possibilitam uma identificação garantida de qualquer ser humano. “O poder de discriminação do conjunto é maior do que a totalidade de homo sapiens que já viveram no planeta”, afirma. A empresa para a qual o perito trabalha, a Life Technologies, acaba de lançar GlobalFiler, um kit sequenciador de DNA que foi aprovado pelo FBI. Além de auxiliar as investigações criminais, as informações obtidas também permitem, por exemplo, a identificação de corpos, e podem ajudar na busca por pessoas desaparecidas.
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O Global Filer (Foto: Divulgação )
Apesar de serem comprovadamente úteis para os processos penais e para outros procedimentos de natureza investigativa, há quem desconfie da disseminação de bancos genéticos. Mesmo que convenções internacionais e a lei brasileira assegurem que os “bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou comportamentais das pessoas”, muitos juristas chamam a atenção para os riscos da manutenção destas informações, e também afirmam que a medida é inconstitucional.
Em um artigo, o procurador regional da República aposentado Rogério Romano alerta que os bancos podem “trazer consequências estarrecedoras, próprias de um Estado Totalitário”. Já a advogada Arryanne Queiroz, associada ao Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, levanta o debate sobre a privacidade genética em seu texto. Ela imagina um cenário de “discriminação biológica e social perversa”, comparável a filmes de ficção científica.
Para Paulo Raimann, tais suspeitas são infundadas, e surgem devido ao desconhecimento das regiões do DNA que são de fato mapeadas. De acordo com ele, a única característica pessoal possível de ser identificada em um perfil genético é o sexo da pessoa. “Acham que vão poder dizer se alguém vai ter câncer com 18 anos ou morrer de infarto aos 23, não é isso”, diz.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Reconhecimento facial para automóveis

Ford e Intel anunciaram a tecnologia - saiba como ela irá funcionar

SE O MOTORISTA NÃO É O HABITUAL, O CARRO ENVIA UMA NOTIFICAÇÃO AO CELULAR DO PROPRIETÁRIO (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)


AFord e a Intel anunciaram o desenvolvimento de um sistema que permitirá controlar o interior de seus veículos de forma remota, através de telefones celulares com câmeras de vídeo. A tecnologia também incorporará o reconhecimento facial para autorizar a utilização do automóvel.
O sistema, denominado Mobii (Mobile Interior Imaging), está baseado na instalação de várias câmeras dentro do veículo para permitir ver seu interior à distância, através de celulares, e também para captar os gestos dos ocupantes para ativar funções.
Dan Butler, diretor-executivo de Veículos Conectados e Serviços da Ford, disse que o Mobii é mais um passo na vontade da fabricante de automóveis de "personalizar a experiência" de seus clientes. Segundo Butler, entre outras funções, o sistema de reconhecimento facial de Mobii avisa o proprietário do veículo por celular se a pessoa à frente do volante não é o motorista habitual. Então cabe ao proprietário permitir ou impedir que o motorista utilize o automóvel, através de um app.
A Ford também disse que o Mobii permite que um motorista observe o interior de seu veículo à distância através de seu telefone celular, "por exemplo, para comprovar se esqueceu algum objeto no automóvel".
As câmeras também permitem que o veículo saiba se o motorista está sozinho ou acompanhado no automóvel. Neste último caso, o Mobii ativa um modo de privacidade que limita a informação pessoal, como o calendário ou os contatos do celular, que normalmente serão visíveis nas telas.
Combinando gestos com comandos de voz, o Mobii também pode ativar serviços como a abertura ou fechamento do teto solar.
"Nosso objetivo com o Mobii é explorar como os motoristas interagem com a tecnologia no automóvel e como podemos fazer essa interação mais intuitiva e previsível" disse em comunicado Paul Mascarenas, diretor técnico da Ford e vice-presidente de Pesquisa e Inovação da montadora.
"A imagem no interior é puramente pesquisa neste momento, mas o que aprendemos nos ajudará a ajustar a experiência dos clientes no longo prazo", acrescentou Mascarenas.
Até agora, a Ford e outros fabricantes de automóveis utilizaram câmeras externas para auxiliar o motorista, como na detecção de veículos nos pontos mortos de visão ou para advertir do desvio do veículo com relação à pista de circulação.
Butler também disse que a Ford respeita a privacidade de seus clientes e que "apesar dos rumores que existem", a montadora não controla os movimentos ou captura informação de seus veículos. "A informação sobre os clientes é dos proprietários. Não monitoraremos os veículos. E a única vez que a informação é transmitida é a pedido dos proprietários", explicou.

sábado, 21 de junho de 2014

Cobaias virtuais podem eliminar a necessidade de sacrificar animais para estudos

Unindo biologia à tecnologia, Biosphera quer ajudar estudantes a aprender sobre a anatomia animal sem precisar sacrificar nenhum bicho para isso
E-SQUELETO: MODELOS VIRTUAIS PERMITEM VER EM DETALHES MÚSCULOS E OSSOS ANIMAIS AO ALCANCE DO MOUSE (FOTO: REPRODUÇÃO).



Talvez ainda não exista alternativa definitiva para substituir animais em testes de remédios e tratamentos contra doenças graves. Mas os estudantes de veterinária e biologia hoje podem estudar a anatomia dos animais sem sacrificá-los, graças à Biosphera, empresa de São Carlos (SP). Criada em 2010, a startup cria e comercializa modelos virtuais de animais, de cães a seres humanos.
“A ideia surgiu há 12 anos, quando eu cursava biologia”, conta o fundador e sócio Victor Skrabe, formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Percebi que a computação gráfica poderia ajudar muito na assimilação dos conteúdos”, diz. Interessado por softwares desde criança, combinou as duas habilidades: “Em 2010, durante a Campus Party tive meu primeiro contato com ferramentas de desenvolvimento de jogos, e a partir dai comecei a desenvolver softwares de ensino”.
Os programas produzidos pela Biosphera permitem uma viagem virtual pela anatomia animal: é possível ver o sistema circulatório, os músculos e ossos do esqueleto separadamente ou sobrepostos. Ao passar o mouse por cima de algum órgão, automaticamente seu nome é destacado. Estre os animais escaneados pelo programa estão cão, cavalo, aves, rato e sapo. Até uma versão com a anatomia humana foi desenvolvida. Hoje, a Biosphera vende seus softwares para diversas universidades brasileiras e estrangeiras como Unicamp, Universidad de lasAmericas (Equador), Universidade de Sydney (Austrália) e Ross University (Estados Unidos). Além de Skrabe, a equipe tem cinco pessoas, entre biólogos, veterinários e especialistas em 3D.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

10 coisas que você não sabia que seu Android pode fazer

Conheça funcionalidades úteis que podem passar despercebidas para os que não são loucos por tecnologias (e para os que são também)



Os smartphones que funcionam com Android, sistema operacional do Google, são concorrentes diretas dos iPhones, que funcionam com iOS, da Apple. Críticos ferrenhos e fãs apaixonados defendem seus sistemas de escolha com unhas e dentes. Assim como já mostramos com os iPhones, o Android tem uma gama de possibilidades de uso que são praticamente incontáveis. Os usuários que não são tão aficcionados por tecnologia, porém, desconhece funcionalidades que podem ser bastante úteis.
Veja dez coisas que você pode fazer com seu Android, mas provavelmente não sabia:

Envie SMS pelo computador ou tablet

Esta é uma função interessante para aqueles dias em que você esqueceu seu celular em casa. Baixando um aplicativo como o MightyText, o usuário poderá enviar mensagens SMS a partir do navegador Google Chrome. Para funcionar, além de baixar o aplicativo no celular, é preciso baixar a extensão para o browser. O usuário ainda tem a opções de sincronizar os contatos do Google com o Chrome tornando o envio mais rápido. Vale ressaltar que o custo para o envio do SMS permanece o mesmo do telefone.

Acesse abas que você abriu em outros dispositivos

Se você estiver utilizando o Google Chrome, o Android pode acessar abas abertas em outros dispositivos nos quais você também estiver logado. Para isto, basta acessar “Outros Dispositivos” no Menu do Chrome, em um ícone com duas setas no canto inferior direito da tela do smartphone. O usuário ainda pode baixar a extensão Chrome Mobile com a qual é possível enviar páginas offline do PC para ler no smartphone enquanto estiver em algum local sem acesso à internet.

Meça distâncias e velocidade

Se você precisa medir alguns objetos em casa ou se impressionou com o tamanho de uma estátua, você pode abrir mão da fita métrica e saciar sua curiosidade. Já existem aplicativos que podem calcular a distância e altura de objetos usando a câmera do celular. Um deles é o SmartMeasure. Agora, se você ficou interessado em descobrir a velocidade de objetos, há o SpeedGun.

Carro inteligente

A automação já se tornou bastante conhecida em casas e apartamentos. Mas agora ela também está presente nos automóveis. Hoje, já é possível ligar o carro usando seu Android. E não é apenas isso. O usuário pode bloquear e desbloquear as portas e porta-malas do carro a quilômetros de distância. Tudo isso através do Viper SmartStart. Mas para funcionar é preciso comprar um kit da empresa.

Busca no Google usando imagens

Isto não é exatamente novo, mas muita gente ainda não conhece esta possibilidade. Com o aplicativo Google Googgles, o usuário não precisa digitar o que está procurando. Ele vai escanear o objeto usando a câmera do celular e em seguida fazer uma busca no Google para obter mais detalhes. Ele pode ser usado com obras de arte e até garrafas de vinho.

Detector de metal

Esta é uma das mais surpreendentes ferramentas que você terá em um smartphone. Muito útil para tentar encontrar aquela chave que você perdeu ou até mesmo para encontrar vigas em uma parede. O aplicativo Metal Detector funciona a partir de uma premissa muito simples, que é a seguinte: se há um metal próximo, é certo que o campo magnético deve aumentar na região. O aplicativo funciona usando a bússola e o acelerômetro do celular.

Projete sua casa

Com o aplicativo Floor Plan Creator é possível criar e editar plantas de imóveis de maneira bem simples e intuitiva. O usuário pode inventar salas, quartos, banheiros e cozinhas da forma que quiser, incluindo paredes e portas. E ainda oferece uma grande variedade de mobília. Ele também pode servir para reorganizar os móveis de lugar.

Não faça chamadas enquanto estiver bêbado

Algumas pessoas ficam muito sinceras depois de algumas doses e insistem em ligar para seus contatos para contar exatamente o que pensa deles (seja isso bom ou mal). E a pessoa sequer se lembra destas ligações. Para evitar esses imprevistos, existe o aplicativo Designate Dialler, que pode bloquear contatos para garantir que o usuário não ligue para eles enquanto estiver bebendo.

Webcam

Você pode transformar seu celular em uma webcam para monitorar o quarto do seu bebê ou mesmo usar como uma câmera de segurança. Para isso você deve usar sua rede wi-fi e fazer streamings através do aplicativo IP Webcam.

Scanner

Aquele enorme aparelho que você usa para escanear documentos pode ser substituído facilmente desde que seu smartphone possua uma boa câmera. Para isso você pode baixar aplicativos como o CamScanner. Você pode se perguntar se não bastaria tirar uma foto do documento. Porém, o aplicativo fará com que a câmera do celular funcione como um scanner. Como ele, você terá a opção de salvar a imagem em outros formatos, como PDF, ajustar brilho e contraste, fazer cortes, entre outras opções.

domingo, 15 de junho de 2014

Cientistas descobrem oceano perto do núcleo da Terra

Água fica armazenada em um mineral; novidade tem chances de transformar a atual compreensão de como foi formado o planeta


A água estaria "trancada" em um mineral chamado ringwoodite, cerca de 660 quilômetros abaixo da crosta terrestre. Os pesquisadores se basearam no estudo de uma região que se estende no subsolo dos Estados Unidos. O mineral em que está a água costuma agir como uma esponja, em razão de sua estrutura cristalina.
Se apenas 1% da rocha for água, já seria o equivalente a quase três vezes a quantidade de água nos oceanos. A pesquisa, informou o Guardian, utilizou dados do USArray, uma rede de sismógrafos americana, que mede as vibrações de terremotos.
"Pode ajudar a explicar a grande quantidade de água em estado líquido na superfície do nosso planeta"
Steve Jacobsen, geofísico
Segundo o geofísico responsável pela iniciativa, Steve Jacobsen, da Universidade Northwestern, a descoberta sugere que a água da Terra pode ter vindo de seu interior, impulsionada para a superfície pela atividade geológica — em vez de ter sido trazida por cometas congelados.
"Acho que estamos finalmente vendo evidências de um ciclo de água na Terra, o que pode ajudar a explicar a grande quantidade de água em estado líquido na superfície do nosso planeta", diz Jacobsen.
Em entrevista à New Scientist, o pesquisador afirmou que a água escondida também poderia estar agindo como um amortecedor para os oceanos na superfície. "Se [a água armazenada] não estivesse lá, estaria sobre a superfície da Terra, e o topo das montanhas seriam o único solo para fora."

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O chute mais importante do dia foi visto por poucas pessoas

Cercada de críticas, a primeira demonstração pública do projeto Andar de Novo, do neurocientista Miguel Nicolelis, foi feita na abertura da Copa do Mundo

Exoesqueleto em transporte durante a abertura da Copa do Mundo

São Paulo – No dia da abertura da Copa do Mundo, o chute mais importante do dia não foi dado por nenhum dos jogadores que passaram pelo campo. Juliano Pinto, de 29 anos, foi o responsável por ele.

Ele foi o voluntário paraplégico que usou o exoesqueleto desenvolvido pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. O chute, no entanto, passou quase sem ser percebido na transmissão do evento.
Em dado momento na celebração de abertura da Copa do Mundo, Pinto foi levado até uma bola em uma das laterais do campo e deu um leve chute (veja vídeo no final deste texto). Em seu Twitter, Nicolelis comemorou. “We did it!!!!” (nós conseguimos, em português).
O chute foi a demonstração pública do projeto Andar de Novo, de Nicolelis. Ele é resultado de um investimento de 33 milhões de reais do governo federal. Mesmo sendo um avanço científico exemplar, o fato é cercado de desconfiança.
O plano inicial era que o voluntário desse alguns espaços dentro do campo para dar o chute. No momento, no entanto, ele deu apenas um passo fora do campo.
De acordo com o Comitê Organizador, o chute foi dado fora do gramado para que ele não fosse prejudicado. O exoesqueleto que sustentava o corpo de Pinto pesa 70 quilos.
O peso do esqueleto é exatamente uma das críticas de pesquisadores da área. Alguns apontam estrutura como algo pesada e pouco prática, que traria benefício a poucos paraplégicos.
Outra crítica constante ao trabalho de Nicolelis é devido à falta de publicação de trabalhos científicos mostrando os resultados de suas pesquisas. O neurocientista publicou trabalhos detalhando os testes da “interface cérebro-máquina” que foram feitos com macacos ou ratos.
De acordo com a equipe do trabalho (que envolve 156 pesquisadores de vários países) os resultados dos testes com humanos serão publicados nos próximos meses.
Em entrevistas, Nicolelis afirmou que esse é apenas o começo. A tecnologia deve continuar em desenvolvimento para que os exoesqueletos se tornem em uma solução viável.
Andar de Novo
O exoesqueleto é uma estrutura de 70 quilos que permite que paraplégicos possam andar. Com uma touca, o equipamento é capaz de ler impulsos cerebrais.
Os impulsos são processados por um computador que fica localizado na parte traseira da veste. Depois, são transmitidas ordens para que a estrutura faça os movimentos.
Outro ponto ressaltado pelos pesquisadores é uma espécie de pele artificial. Com ela, seria possível simular o tato de quando o pé toca o chão.
LINK DO VÍDEO:
https://www.youtube.com/watch?v=TbVz8xZCVuk

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Cientistas querem usar lasers para identificar motoristas alcoolizados

O aparelho pode medir o álcool no sangue de uma distância considerável



Pesquisadores poloneses desenvolveram um laser que, ao ser disparado em direção a um motorista, pode identificar se a pessoa está alcoolizada. O aparelho, criado na Universidade de Tecnologia Militar de Varsóvia, pode detectar vapor de álcool dentro de veículos em movimentos, com espelhos curvados e raios de luz.
Basicamente, o sistema dispara um laser para um carro que pode estar do outro lado da estrada. Então o laser é refletido por um espelho até um detector, que informa o nível de álcool no sangue do motorista. De acordo com seus criadores, o aparelho pôde detectar concentrações de álcool de até 0,1% em um sistema que simulava um motorista bêbado. Com alvos humanos, cientistas acreditam que poderão detectar concentrações mais baixas.
Mas há alguns problemas. Se os passageiros (e não o motorista) do carro estão bêbados, a medição pode ficar confusa. Assim como se a janela do carro estiver aberta, ou se o ar condicionado estiver ligado. Então mais pesquisas seriam necessárias antes de colocar essa tecnologia em uso.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Futuro: preservativos de hidrogel prometem ser mais prazerosos

Os preservativos masculinos, também conhecidos apenas como camisinhas, talvez sejam o método contraceptivo mais conhecido em todo o mundo. No entanto, apesar de prevenir a gravidez indesejada e uma série de doenças sexualmente transmissíveis, nem todo mundo é a favor desse produto, alegando que ele diminui o prazer do sexo.

Com o objetivo de resolver esse problema, uma equipe de estudiosos da Universidade de Wollongong está trabalhando na concepção dos preservativos do futuro. De acordo com o que foi explicado por eles, essas camisinhas vão ser feitas com hidrogel, de modo que ela proporcione mais prazer aos envolvidos no ato sexual.

Protegendo de maneira mais satisfatória

Isso acontece pelo simples fato de que, em uma explicação breve, o hidrogel é composto predominantemente de água com algumas moléculas de polímeros. Com isso, esse material tem uma rigidez bastante semelhante com a da pele humana — algo que interfere menos no atrito e evita que você e outras pessoas considerem as camisinhas ruins.

Link do Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=Bw12aTeIAsI


Sendo assim, a equipe liderada pelo Doutor Robert Gorkin espera que as pessoas sintam apenas a necessidade de utilizar os preservativos e passem a realmente querer utilizá-los. No entanto, o foco desse novo produto vai estar em locais com grande incidência de DSTs, como é o caso da África subsaariana e também do sudoeste da Ásia.
Um bom dinheiro nessa jogada...

No momento, os responsáveis pelo projeto ainda estão identificando uma composição de hidrogel que se encaixe nas necessidades da concepção de um preservativo. Quando isso acontecer, a próxima fase é a de testar a resistência dessa camisinha, assim como a sua permeabilidade e outras propriedades destes gêneros.

Além de tudo isso, vale a pena mencionar que essa pesquisa está sendo financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates, já que a organização está oferecendo garantias para quem criar a próxima geração de preservativos. Caso o pessoal de Wollongong seja bem sucedido, eles devem receber US$ 1 milhão como prêmio (cerca de R$ 2,3 milhões).