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quinta-feira, 12 de junho de 2014

7 lições da Copa sobre o que líderes não devem fazer

Fica só a lembrança, em uma tentativa bem humorada, de mostrar como nossos líderes, independente de partidos e afiliações, escapam com coisas que pareceriam estranhas até a um calouro de Administração


Hoje me peguei fazendo a seguinte pergunta: o que aconteceria se uma empresa anunciasse o lançamento do "smartphone dos smartphones", gastasse mais do que a Apple e a Samsung gastaram para lançar seus aparelhos, para surpreender com um modelo de bem menos funções que o anunciado?
"O aparelho faz ligações. Vocês não queriam um telefone?", diria o confiante CEO, em uma conferência com a mídia. Na reunião de acionistas, o diretor de RI, ao ouvir críticas ao avançado sistema de teleconferência que a empresa anunciou e não entregou, diria: "As pessoas querem fazer ligações e mandar mensagem de texto. Nós vamos entregar o resto, um dia." Outro executivo responderia que o que importa é que nos próximos anos boa parte das promessas seria realizada.
Qual seria sua reação como consumidor ou acionista de tal empresa? Ficaria feliz e contente ou pediria a cabeça da diretoria da empresa?
Tal situação, que parece surreal, aconteceu aqui mesmo, neste fenômeno chamado Brasil. Ao anunciar a Copa, planos mais do que gigantes foram apresentados. Não podiam faltar autoelogios e discursos magnânimos. Achei a coisa toda tão interessante que não podia deixar de falar sobre o assunto. Como imagino que a maioria dos nossos governantes não passa muito tempo lendo sobre Administração, vamos fazer o contrário. Apresento aqui minhas lições do que não fazer quando você está em uma posição de liderança:
- Utilize termos como a “Copa das Copas” para mostrar que ninguém está aos seus pés. Não basta dizer que é o melhor, exagere ao máximo: O “produto para acabar com todos os produtos” e “você nunca mais será o mesmo” são frases úteis que devem ser levadas totalmente a sério.
- Entre em projetos complicados, com os quais você não tem nenhuma experiência. Coisas como trem-bala, monotrilhos elevados e mais um monte de coisa que você nunca fez até agora, mas planeja fazer em tempo recorde.
- Faça tudo ao mesmo tempo. Você acha complicado construir um aeroporto, um estádio e uma linha de metrô? Então resolva construir vários ao mesmo tempo. Todo mundo sabe que vários projetos simultâneos são muito mais fáceis de administrar, não é mesmo?
- Dane-se o orçamento e o bom senso. Nada mais justo que construir o terceiro estádio mais caro do mundo em uma cidade sem tradição em futebol. Aliás, para que economizar? Chute o balde, torre o máximo possível e diga que está investindo em um “legado”. Afinal, super estádios podem ser usados esporadicamente para shows, feira hippies e piqueniques escolares, não é mesmo?

- Quando as coisas começarem a dar errado, xingue seus críticos. Diga que eles são pessimistas e não sabem de nada. Mude seu discurso, diga que os projetos eram para depois, de qualquer jeito, e todo mundo entendeu errado. Ignore as críticas mais sérias, que uma hora elas somem.

- Aproveite que os projetos e orçamento passaram do prazo e passe mais um pouco. Vá em frente. É muito mais emocionante saber que um estádio foi entregue logo antes do jogo.

- Afaste-se totalmente da realidade. Todo mundo sabe que um dos primeiros sinais de problemas é quando a liderança se mostra desconectada com a “linha de frente”. Isso, no entanto, é para mortais. Quando perguntarem se faltam hotéis, responda que conta com a hospitalidade das pessoas. Se disserem que os projetos não foram entregues, diga que o povo quer é festa. Se reclamarem da falta de mobilidade, tire um sarro e mande ir de jegue.

Caro leitor, é claro que vai ter Copa. Os times estão chegando, os estádios estão aí. Fica só a lembrança, em uma tentativa bem humorada, de mostrar como nossos líderes, independente de partidos e afiliações, escapam com coisas que pareceriam estranhas até a um calouro de Administração. Curta a festa, mas não se esqueça de que, no fim, nós é que pagamos a conta.

domingo, 8 de junho de 2014

Maioria dos brasileiros nas cidades-sede não tem interesse na Copa, diz pesquisa

Só 23% declararam ter muito interesse pelo Mundial. 'A crítica maior é com a forma como o evento está sendo organizado', explica pesquisador


MAIORIA DOS MORADORES DAS CIDADES-SEDE NÃO TEM MUITO INTERESSE NA COPA (FOTO: FERNANDO FRAZÃO/ AGÊNCIA BRASIL)

Apoucos dias do início da Copa do Mundo, uma nova pesquisa mostra que a maioria das pessoas não está muito interessada no evento — ou pelo menos os residentes das cidades-sede. Realizado entre os dias 5 e 12 de maio, o estudo revela que apenas 23% deles declararam ter muito interesse pelo Mundial. E mais: 60,3% dos entrevistados afirmaram que a Copa será péssima, ruim ou regular.
O levantamento foi coordenado pelo professor Alexandre Panosso Netto, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, juntos com os pesquisadores Manuel Alector Ribeiro, da Universidade do Algarve, e Dogan Gursoy, da Washington State University. Ainda assim, os brasileiros que acreditam que a Copa será boa ou ótima representam 37%.
“A população tem orgulho e está feliz com a realização da Copa no Brasil”, diz Panosso, em entrevista à GALILEU. “A crítica maior é com a forma como o evento está sendo organizado.” O descontentamento, de acordo com o professor, está relacionado a três temas básicos: o custo financeiro, que parece ser um dos mais caros da história; as obras que não foram entregues a tempo, sobretudo de infraestrutura; e os possíveis indícios de corrupção.
Segundo ele, o estudo surgiu da necessidade de compreender a opinião das pessoas que vivem nas 12 cidades-sede dos jogos. Aplicada pelo Instituto Datafolha, a pesquisa se baseou em projetos semelhantes desenvolvidos nas copas da Alemanha e da África do Sul. Foram 3.770 entrevistados e a margem de erro é de 1,6%. O mesmo questionário será aplicado em novembro deste ano, para que os dados sejam cruzados.
62,3% da população se considera bem informada sobre a Copa
As opiniões, no entanto, dividem-se sobre a afirmação “A Copa de 2014 será a melhor Copa de todos os tempos”, já que 48,7% dos entrevistados responderam que discordavam e 41% concordavam totalmente. Além disso, 62,3% da população respondeu que concorda totalmente ou em parte com a afirmação “Eu estou bem informado sobre a Copa do Mundo de 2014”.
“A informação é fundamental para a tomada de posição e opinião”, afirma Panosso. “Creio que justamente porque a população está informada, ela tem desinteresse pelo evento em si — como possibilidade de ludicidade, entretenimento, diversão.” O desinteresse parece estar ligado ao fato de o evento ser no Brasil. “As outras Copas, fora de nossa casa, não eram uma preocupação nossa. Não nos preocupávamos com estádios ou com acessibilidade.”
Panosso diz que, embora a pesquisa não aborde o tema das manifestações de junho, é “inegável que aquele momento histórico trouxe à tona muito do que estava — e está — engasgado na garganta” dos brasileiros.

sábado, 7 de junho de 2014

Veja as ruas brasileiras pintadas para a Copa do Mundo


Vai ter Copa sim, de acordo com o Google Street View: um hotsite da ferramenta separou imagens em 360 graus de ruas pelo país que já estão devidamente pintadas e decoradas para a Copa do Mundo.
Se destaca a resolução excelente das imagens e as imagens tiradas em várias regiões do país - tem registros de ruas em Belo Horizonte, em São Paulo, no Rio, em Manaus e em Natal. Aparentemente, a iniciativa do Google serve para divulgar não só o Street View, mas também o aplicativo Google Camera, para Android, e uma nova função do app que tira fotos panorâmicas em 360 graus que podem ser associadas via Picasa a pontos geográficos no Maps.